Crônicas & Reflexões

Segundo aprendemos nas aulas de catecismo, Adão e Eva descumpriram as normas do paraíso, foram expulsos e de imediato, colocaram a culpa na serpente, pelo desvio de conduta.

É claro que uma história que se iniciou dessa forma, não poderia ganhar um enredo diferente. Para tudo, arranjamos um culpado, sem a menor cerimônia.

Se o nosso time perde, sem pestanejar, jogamos a culpa no juiz. Em segundo lugar, aparece o treinador como vítima preferida. Depois, admitimos que zaga esteve mal, o goleiro “papou” um frango, o meio de campo não deu combate e, por fim, o ataque não funcionou.

Já o pescador, quando não faz uma boa pescaria, inventa que o clima mudou de repente, alguém botou o olho grande, que levou a isca errada, e vai por aí.

A nossa geração conheceu um sindicalista que passou um tempão culpando o FMI, os banqueiros, as classes produtoras, os políticos da ARENA, do PFL, os americanos, os usineiros, o Congresso Nacional e a falta de uma reforma agrária, pelas desigualdades sociais.

Depois de três tentativas, sentou na cadeira de presidente, inclusive com a minha ajuda. Conhecendo o outro lado do balcão, viu que as coisas são bem diferentes e tratou logo de mudar o teor dos seus discursos e de arranjar outras desculpas pelas suas falhas.

Aliou-se aos picaretas que dizia existirem lá no Congresso e ficou na dependência deles, ao ponto de entregar-lhes os mais altos cargos do seu governo.

Colaborou com o FMI, protegeu os donos dos bancos e esqueceu até dos aposentados que fingia defender. Passou, então, a não saber das coisas e apesar de não ler jornais, escolheu a imprensa como a maior culpada por todas as notícias negativas saídas de Brasília.

Não é novidade para ninguém que politicamente, o Brasil vive uma enorme crise moral. Mesmo com os avanços conseguidos como a transparência, a liberdade de imprensa, o cidadão mais vigilante, não dá para esconder que a classe política está nivelada por baixo. Os tribunais estão abarrotados de processos contra vereadores, prefeitos, deputados, senadores e governadores. As razões são várias, pois cada qual tem o seu jeito de “fazer arte” na política.

Diante dessa avalanche de acusações que correm na Justiça e da morosidade verificada nos julgamentos, perguntamos: De quem é a culpa?

Primeiramente, mesmo na condição de leigo, consideramos a nossa legislação eleitoral muito branda. Mas seria muita ingenuidade esperar que fosse diferente, já que grande parte dos nossos legisladores (deputados e senadores) tem contas a acertar com a Justiça.

Em segundo lugar, reconhecemos que nós, os eleitores, temos grande parcela de culpa. Votamos por interesse pessoal, sem pensar na coletividade. Elegemos pessoas que nos parecem simpáticas e boazinhas. Damos o voto ao um amigo, mesmo sabendo dos defeitos dele. Colocamos pessoas incapazes no poder. Votamos até por vingança contra alguém.

Somos culpados também, porque se estamos do lado do governo, dizemos que tudo está perfeito, não existem erros. Falta-nos, pois, coragem para discordar dos chefes. Mas se não conseguimos uma “boquinha”, dizemos que tudo está errado, apostamos no quanto pior, melhor e torcemos para que nada tenha êxito, quando o mais sensato seria fazer oposição de forma construtiva, fiscalizando e denunciando, justamente como deveria agir todo cidadão.

Se você já é coroa, não fique triste, nem perca a esperança. Com muita força de vontade e mudando de atitude, poderá contribuir para modificar essa situação.

Mas se ainda é jovem, melhor. O futuro lhe pertence. Haja com convicção, não aceite ser enganado, diga não à corrupção. Mostre-se um exemplo para essa geração repleta de interesseiros. Diga não aos que só pensam em levar vantagem.

Lembre-se de que o processo democrático precisa de suas decisões como cidadão íntegro, independente, consciente e ético. Nós, é que não soubemos dar bons exemplos. Agimos com indiferença e egoísmo. Não pensamos em você. Desculpe-nos pela nossa falha.

 

O ano de 2009 ficará na história como um dos mais complicados da década. Nem mesmo a crise econômica ou a gripe suína conseguiram fazer tantos estragos, quanto os escândalos políticos que aconteceram no país.

Mal começou o ano, tivemos aquela crise envolvendo Sarney. De pronto, os “bombeiros” de plantão, de olho em 2010, se encarregaram de apagar o incêndio político, cuja intensidade, causaria danos irremediáveis na base governista. Suplicy foi quem saiu desgastado. Lula adorou! Esse episódio, pelo menos, serviu para mostrar com quantos políticos covardes se faz um Congresso. Convém dar-lhes o troco nas próximas eleições.

Logo a seguir, tomamos conhecimento da farra das passagens aéreas, com parlamentares distribuindo bilhetes de viagens com parentes e agregados.

Tivemos também, pra variar, aquele sério bate-boca entre Ministros do Supremo. Uma vergonha, como diria aquele velho jornalista da TV.

A grande novidade foram as cassações de cinco governadores pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Não dá para esquecer o caso das notas frias apresentadas pelo deputado Edmar Moreira, que gastou uma grana preta na construção de um castelo dentro do mato e nada declarou à Receita Federal.

Ainda está dando o que falar a crise política que envolve a governadora do Rio G. do Sul, que, segundo dizem perderá o mandato.

Em Brasília, capital federal da corrupção, o governador José Roberto Arruda foi flagrado com a mão na massa, ou melhor, na grana. Lembram-se do mensalão? Ele voltou com todo gás e agora, do outro lado do balcão.

Como se sabe, os mais antigos usavam um pequeno galho de arruda para dar sorte. Já Arruda, o “santinho” que certo tempo atrás fez traquinagens no painel eletrônico do Congresso, confessou o crime, chorou em público e foi perdoado pelos políticos. Seus eleitores o premiaram com o cargo de governador do Distrito Federal. Certamente, mais uma vez, o “galho do Arruda” será quebrado” e ele sairá impune.

Em Pernambuco, as manchetes ficaram por conta do escândalo das notas frias da Câmara de Vereadores do Recife.

Mais recentemente, os deputados festeiros ganharam as principais páginas dos jornais por causa das elevadas verbas gastas com festas realizadas em cidades do interior. O secretário estadual de turismo caiu. A troca de acusações continua e salve-se quem puder.

Para finalizar, a nossa Pesqueira passou o Natal sem prefeito, devido à cassação pela Justiça, da prefeita Cleide Oliveira.

Pelo exposto, o ano político não foi dos mais proveitosos para o Brasil, para Pernambuco e de quebra, para o nosso município.

Torcemos para que o mais breve possível a administração municipal entre no seu ritmo normal. Não há mais tempo a perder.

E, por falar em torcer, para nós, torcedores do Sport e para os do Náutico, se fosse possível, o ideal seria apagar 2009 de nossas memórias.

Mas a melhor atitude é ler e reler o excelente artigo O LUTO E A LUTA do ilustre alvirrubro Gustavo Krause publicado no JC do dia 30/11/05, sobre os desastres que se abateram sobre os nossos times naquele trágico ano.

 

 

Alguém já definiu a música como “A ARTE DE COMBINAR OS SONS DE FORMA HARMONIOSA”. Segundo Mário de Andrade, escritor e professor de História da Música, “A MÚSICA É A ARTE DAS ARTES”.                Mesmo não se sabendo com exatidão a época, tem-se notícias de que ela acompanha o homem desde os primórdios e é difícil acreditar que exista alguma pessoa que não aprecie uma boa música.

No dia 22 de novembro, comemora-se o DIA DA MÚSICA e ao mesmo tempo presta-se com toda justiça, homenagem aos músicos, os quais são responsáveis pela difusão, evolução e aperfeiçoamento desta que é considerada como “A MAIS COLETIVISTA DAS ARTES”.

Prestar homenagem aos músicos, é para nós, mais de que uma obrigação. Quem é capaz de nos proporcionar momentos inesquecíveis nos bailes, nas festas, nas serestas, nas retretas, nas noitadas e nos concertos ou em nossas casas, quando solitários, procuramos afastar a nostalgia ouvindo música? É claro que recorremos a um bom instrumentista, a um cantor ou a uma orquestra. Até, quando queremos dormir, não dispensamos uma boa dose de música para nos acalmar. A nossa Pesqueira é, com toda justiça, reconhecida como berço de grandes músicos.

É impossível enumerarmos os grandes instrumentistas e maestros que saíram daqui para brilhar em outros centros mais adiantados. Há também aqueles que por falta de oportunidade ou por desejarem, permanecem aqui, para a nossa alegria, nos deleitando com os seus maviosos acordes. Para não cometermos injustiças, evitamos citar nomes, mas fazemos questão de solicitar aos programadores musicais de nossas emissoras que homenageiem os nossos músicos, maestros e compositores fazendo tocar obras musicais que tenham os mesmos, como intérpretes ou autores.

Esta é, a meu ver, a maneira mais justa que temos para externar o nosso reconhecimento a eles e ao mesmo tempo ressaltar a importância que a música exerce sobre as nossas vidas.

A prova inconteste do que afirmamos, está no fato de a música se fazer presente nos momentos mais marcantes do nosso dia-a-dia. São raros os amores, romances, encontros ou desencontros, que não tiveram ou têm uma canção como tema musical.

Conforta-nos, como amante da música, constatar que felizmente parte da nossa juventude está despertando para a importância dessa arte e está procurando estudar. Isto é comprovado pelo número de jovens que se apresentam em encontros musicais, tocando instrumentos diversos, dando esperanças de que dentro de pouco tempo, ocuparão espaços importantes no nosso meio artístico-musical.

 

Pesqueira, na primeira metade do século XX, contou dois educandários com professores de elevado nível e ainda com a vantagem de manter o sistema de internato, fatores que ensejaram a moças e rapazes de outras cidades a oportunidade de estudar em ginásios e colégios bons. Sem falar no lendário Grupo Escolar Ruy Barbosa, onde o curso primário era de excelente qualidade e no Seminário São José.

A nossa cidade foi, pelas razões acima citadas, uma referência positiva no campo educacional.

Entre os anos 50 e 60, o Cristo Rei e o Colégio Santa Dorotéia passaram por mudanças. Foram extintos os internatos. Em seguida, ambos foram transformados em escolas mistas.

No início da década de 60, o prefeito Luiz Neves sentindo as necessidades do município, fundou o Colégio Comercial Municipal de Pesqueira, criando, a partir desse importantíssimo feito, novas perspectivas para os jovens do município e da região. Numa época que em os cursos técnicos estavam bastante valorizados, foi grande a procura pelo curso de Técnico em Contabilidade.

Na década de 70, o Cristo Rei é estadualizado, depois das dificuldades enfrentadas pela falta de alunos, cujas famílias tivessem condição econômica que lhes permitisse pagar escola particular para os filhos.

Agora, no limiar do século XXI, quando da realização do 20º reencontro, a cidade tem o privilégio de receber de volta, muitos daqueles que aqui fizeram o seu curso primário, o ginasial, o normal, o pedagógico, o de Técnico em Contabilidade, ou simplesmente deram os seus primeiros passos à procura do saber.

Alguns, já bem rodados, cabelo grisalhos, andar trôpego, fisionomia carimbada pelo passar dos anos, mas que na hora do prazeroso momento de rever os antigos colegas de sala de aula, sentem-se novamente crianças, adolescentes, jovens e, acima de tudo, felizes por terem nascido ou estudado em Pesqueira.

É um instante mágico! Nota-se a alegria no andar apressado para o abraço, no olhar firme para tentar reconhecer aquele ou aquela que não vê há décadas, nas palavras espontâneas e enriquecidas pelas experiências vividas, enfim, é o prazer de estar de volta e fazendo parte dessa história que muitos, infelizmente, não puderam continuar vivenciando. É, pois, a hora do abraço firme e do agradecimento a Deus.

Só quem participa desses reencontros, pode testemunhar a felicidade que é proporcionada tanto a quem vem de outras cidades como àqueles que permaneceram aqui na terrinha, à espera dessa oportunidade ímpar de renovar o espírito através de um simples gesto de amizade e acolhimento.

Somos ex-alunos e não importa de que educandário ou época. O importante é que estamos mais uma vez nos encontrando, celebrando a vida e abraçando a todos que se fizerem presentes em mais esse reencontro de gerações. A recompensa é o sorriso largo pela alegria de rever a cidade que serviu de berço ou ofereceu o aconchego de uma mãe a centenas de jovens que se tornaram seus filhos adotivos, por terem deixado o seu torrão natal e passado parte da juventude freqüentando as suas bancas escolares.

FELIZ REENCONTRO PARA TODOS! VIVA A AMIZADE! VIVA PESQUEIRA!

 

O cruzeiro de madeira que foi o símbolo do nossa cristandade e também colocado para a passagem do século 19 para o século 20, em 31 de Dezembro de 1899, foi destruído por um raio em 04 de Janeiro de 1940, durante uma chuva de granizo.

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