Crônicas & Reflexões

Manoel Caetano Cavalcanti de Britto, nascido em Pesqueira aos 31 de Julho de 1898 e falecido no Rio de Janeiro aos 17 de agosto de 1556, foi agraciado pelo Papa, na ordem de São Gregório Magno, como Comendador pelos relevantes serviços prestados a Igreja Católica.

Ontem, um dia triste, quando soubemos da morte de um amigo radialista que era radialista mesmo, na melhor expressão da palavra de letra maiúscula PAULO BEZERRA JUNIOR. Sua morte deixa um vazio enorme na radiofonia pesqueirense e porque não dizer na radiofonia pernambucana. Fomos colegas na antiga Rádio Difusora de Pesqueira, quando se fazia um rádio à altura da cognominada Antenas do Sertão. Paulo Junior sabia interpretar um texto comercial que agradava a todos. Nas crônicas dava um show de bola, como se diz na expressão. Nos comícios políticos era um “senhor apresentador” que sabia como ninguém exaltar as personalidades dos candidatos, fazendo com que os ouvintes e assistentes ficassem satisfeitos com as palavras pronunciadas pelo locutor padrão A.

Vindo de Alagoinha, soube com pouco tempo, granjear a admiração dos seus colegas, pois era uma pessoa que gostava de ler e conhecia os assuntos mais em voga. Quando Paulo Junior foi assumir a gerência da Rádio Asa Branca no sertão de Pernambuco, convidado que fui para participar da sua investidura, não podendo comparecer, mandei um telegrama e coincidência ou um ato do destino, ele recebeu o telegrama no momento que estava sendo feita a posse do mesmo e na mesma hora ele leu o telegrama dizendo aos presentes: estou recebendo este telegrama de um amigo radialista de Pesqueira, que sabe tudo sobre rádio. Ele me segredou o acontecido e eu fiquei muito agradecido. Assim era Paulo Junior, amigo dos amigos e distante dos que se diziam amigos, ou seja, “mui amigos”. Paulo Junior nasceu em 03 de Março de 1944 em Alagoinha e faleceu no dia 20 de Setembro de 2009. Adeus Paulo Junior, um dia nos encontraremos para um bate papo bem gostoso sobre o verdadeiro rádio, que nós idealizamos.

 

Tenho Certeza que já afirmei nestas crônicas que a minha memória está rateando. Já não tem a mesma força de antes. É natural, a idade faz efeito negativo e uma das principais seqüelas é sempre a memória ir. Por isso, quando faço algumas citações eu fico sempre na dúvida e me perguntando, será que falei certo? Se não, me desculpem porque a intenção foi acertar ou errar, façam de contas que não ouviram as besteiras que afirmei. Olha, li certa vez uma entrevista, não sei se do Maestro, Marcos César, bandolinista, compositor, e maestro, que ele não gostava que chamassem o chorinho do chorinho, mas do choro.

Se foi ele mesmo que disse isso, começo lhe pedindo perdão porque para mim o chorinho será como sempre chorinho e nunca choro. Mas eu sou apenas um consumidor de música, e Marcos César é um maestro.

Falo chorinho por causa da minha infância, de quando comecei a gostar do chorinho, ouvindo essa música pelos alto-falantes do Serviço Sistema Bandeirante, em Arcoverde. Eu parava debaixo dos postes que tinham o alto-falante em cima parta ouvir os chorinhos. Fiz do chorinho uma das minhas predileções musicais. Quando estou meio borocoxô como no momento, em que a asma misturada com uma espécie de bronquite me atacou, é o chorinho que ouço para levantar o meu astral. Possuo várias fitas de choro. Sim, não aderi ao CD, ainda ouço música em fita-cassete, que os mais novos nem sabem mais o que é. O professor Souza me deu um presente um rádio com CD, mas quase não uso, prefiro as fitas. Ele Mandou consertar meu toca fita diversas vezes me Olinda. Perguntem que ele confirma.

Várias vezes ficava sentado tomando uma cerveja e ouvindo Chiquinho de Cavaquinho tocando com a turma da Velha Guarda. Passava horas ouvindo. Sou doido varrido por chorinho. Eu sei que hoje há músicas diferentes, a garotada prefere outro tipo de música. Respeito, mas para mim o que vale é a música tradicional, e dentre ele está, claro, o chorinho, música que me cativou.

O interessante é que li muita coisa sobre música, mas nada sobre o chorinho. Vou tentar ler algo sobre esse ritmo que acho tão bonito, mas acho que nada acrescentará ao meu gosto, o importante é o que sinto quando ouço um chorinho. É pura emoção, sentimento, recordação, otimismo uma sensação de que as coisas vão melhorar, enfim, associo o chorinho à felicidade.

Quais os meus chorinhos prediletos? Aí a porca torce o rabo. Eu gosto de muitos. Posso enumerar os que ouço mais, a saber: “Delicado”, “Doce de coco”, “Pedacinho do Céu”, “Lamento”, “Noites Cariocas”, “Brasileirinho”, “Tico Tico no Fubá”, “Odeon”, “Apanhei-te cavaquinho”, “Chorando Baixinho”, “André de Sapato Novo”, “Urubu Malandro”, “Pesqueirando”, os choros de Cláudio Almeida principalmente o que ele fez para o pai dele, enfim, gosto de todo tipo de chorinho.

Um dos meus sonhos é ir um dia ao Rio de Janeiro assistir a um festival de chorinho. Mas isso nem é preciso porque aqui em Pernambuco nós temos o Conjunto Pernambucano de choros que é uma maravilha. E que tem nele músicos excelentes de Pesqueira, desfalcando do grande Tonhé, esse conjunto continua orgulhando Pernambuco. E divulgando o chorinho. Viva o chorinho. Bom Dia!

 

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