Laurene Martins e Evandro (Mago)

A história da comunicação de Pesqueira teve inicio em 26 de abril de 1944, quando o titular da Casa José Araújo, senhor José Araújo Filho e o proprietário da padaria ABC, Agostinho Bezerra Cavalcanti se juntaram e formaram um pomposo nome para o serviço de alto-falante de apenas duas caixas de som, que funcionava as quartas, sextas, sábados e domingos na Praça Dom José Lopes, inicialmente no primeiro andar da cooperativa e depois, na hoje sapataria de Paulinho.

Tinha dois locutores, Flamínio Maciel e Jaime de Queiroz Lima, que estudantes de medicina, tinham vozes que se adaptavam ao PQR-RÁDIO PESQUEIRA. Eram tardes-noites que davam um colorido todo especial, com os ouvintes se deleitando com músicas que eram transmitidas nas vozes de Augusto Calheiros, Francisco Alves, Aracy de Almeida e o fino das orquestras de Tommy Dorsey e Gleen Miller. Haviam os locutores substitutos que eram Chiquinho Araújo e Libério Martins. Depois os locutores permanentes se transferiram para a capital do estado e Abel Duque ficou encarregado de tal missão, pois tinha uma voz que se enquadrava bem nos moldes da PQR-RÁDIO PESQUEIRA.

Em 21 de setembro de 1945, numa sexta-feira, eu voltava do Ginásio Cristo rei, quando fui chamado por Abel Duque para ficar na PQR-RÁDIO PESQUEIRA, enquanto ele ia acertar negócios particulares. Tomei gosto na empreitada e substitui o mesmo durante três meses, quando os proprietários acharam por bem acabar com a sociedade. No calendário anotei o último dia da PQR-RÁDIO PESQUEIRA: 14 de dezembro de 1945. 

Pesqueira estava precisando de um meio de comunicação urgente, pois a extinção da PQR-RÁDIO PESQUEIRA, deixou um vazio e três sonhadores se propuseram a enfrentar tal missão.

Lorival Martins de oliveira, Manoel Leite da Silva e Dr. Aluísio de Castro se reuniram e estabeleceram o que a cidade iria ter um serviço de comunicação à altura do seu desenvolvimento. Lourival Martins foi à firma Carvalho Dutra e comprou tudo que era necessário para instalar um perfeito serviço de som que abrangesse toda a Praça Dom José Lopes, Rua Barão de Cimbres, Rua barão de Vila bela e Pátio da liberdade (hoje Praça Jurandir de Brito). Era o centro da cidade propriamente dito.

 Seis cornetas de 25 polegadas com bobinas de 25 watts, dois microfones, dois passa-discos, uma máquina amplificadora marca Philips de 25 watts e mais seis transformadores de linha era o necessário para o bom funcionamento do S.A.P. (serviço de alto-falantes de Pesqueira). Além desses equipamentos foi comprado um motor de energia na firma Carvalho Dutra em recife, que somando tudo importou em dezoito contos e seiscentos mil réis (era a moeda da época).

A inauguração foi no dia 19 março de 1946. A cidade foi uma festa só. Muita gente chorou de alegria, pois um sonho estava se tornando realidade.

O S.A.P. ficou instalado primeiramente no primeiro andar da cooperativa e depois ficou o estúdio funcionando no prédio do União, localizado na Praça Dom José Lopes 63, onde hoje se situa a casa Pantaleão.

Funcionava das 09h às 12h, das 16h às 18h e retornava às 19h indo até às 21h. Tínhamos sete locutores que sabiam ler o que estava escrito, dando uma interpretação que era elogiada pelos ouvintes. Foram Inácio Farias, Libério Martins, Ivan Campos, Lenildo Martins, Walter Jatobá, Laurene Martins e Edson trevas, que tinha a mesma interpretação de um Cid Moreira da Rede Globo ao ler a crônica da noite às 19 horas e 30minutos. Depois foi aparecendo outros como Marcos Macena, Paulo Diniz que mais tarde foi apresentador do Globo no Ar e sempre aparecia em Pesqueira em festas dos estudantes e o Romeu Botto, que depois foi superintendente da COPERBO (Companhia Pernambucana de Borracha) que era uma espécie de mestre de cerimônias nas festas fabulosas do clube dos 50.

O S.A.P. era uma rádio em miniatura, pois haviam os produtores de programa como Albérico Soares, Djanira Silva, Luiz neves, Jarival Cordeiro e Rinaldo Jatobá com a Crônica da Cidade.

A aceitação do S.A.P. era tão grande, que as festas de Santo Antonio em Jenipapo, Ipojuca dos Britos e São Bento do Uma com a festa de Reis. O nosso S.A.P. fez a festa de Santa Ana no povoado de Jeritacó, meninas dos olhos do clarinetista Pedro Burgos no ultimo ano antes da existência do local onde nasceu o fundador de Pesqueira Capitão Mor Manoel José de Siqueira, invadida pela água da barragem de Poço da Cruz. O motor Homelite do S.A.P. agüentou um repuxo danado, quando iluminou a festa de Reis em São Bento do Una, pois Leane Martins sabia manusear com perfeição toda a intricada maneira de funcionar o motorzinho que com 2300 watts clareou a praça principal da terra do leite.

O S.A.P. foi uma mola mestre na divulgação dos comícios políticos que naquele tempo era permitido por lei.

O S.A.P. funcionou em sua primeira fase de 19 de março de 1946 até o dia 13 de dezembro de 1959.

Quem nasceu com tendência para um trabalho, vai com ele até o fim da linha. O meio radiofônico sempre me foi favorável, pois sempre tive microfone e juntando uma coisa à outra, eis que nunca esqueci os bons momentos que o rádio caboclo me ofereceu. Sempre tinha comigo um desejo de voltar um dia a ter aqueles bons momentos vividos com o S.A.P. A idéia de resurgimento do S.A.P. coincidiu com o desejo de três amigos que vibraram com a volta do S.A.P. Evandro Wanderley, Enilson Flávio, e João Caprí formaram comigo o quarteto que finalmente colocou a idéia em ação.

Voltamos em 19 de março de 2004. Primeiramente num estúdio improvisado na Rua Tomaz de Aquino, numa sala cedida pelo Daniel Carvalho e agora já estabelecido no Edifício Amaral França na sala 202 a rua Dr. Lídio Paraíba, estamos fazendo das noites pesqueirenses um novo sonho que se chama: S.A.P., pugnado pela cultura, pela música, pelo noticiário e por variedades de informações que interessam ao povo.

 

Laurene Martins


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