Flor de Chanana

O sol se pondo, fugiu
Quando irmã lua chegou
Um arco íris surgiu
 E a  chuva fria afastou

O orvalho  cai, molha a relva
Os ventos beijam a colina 
A rama que brotou na selva
Fez-se amorosa menina

Cheirando a flor de Chanana
Na face um leve rubor
Ela chegou na savana
Sem disfarçar sua dor

No peito, a tristeza aflora
Na alma, doce é a ilusão 
Do seu amor de outrora
Restou só recordação

Na pele, bronze e ternura
Cor do ardente verão
Num sopro, toda amargura
Invoca os dons do Sertão

Bela e prendada donzela
Tez perfumosa e trigueira 
Morena, cravo e canela
Anjo alado ou feiticeira

No olhar contemplativo
Oculta sonho e segredos
No seu pensar intuitivo
Trama, mistérios e enredo

No cabelo, uma rosa
Vermelha, tom de carmim
Boca fagueira e cremosa 
Olhar que respinga em mim

Moça menina, me cura
Me faz teu prisioneiro 
 No jeito ledo, e a candura
Luze um  fulgor "fascineiro"

Buscando a paz de um abraço
Sonho com  o teu terno beijo
 A chama que arde e me acende
Reluz de  amor e desejo