Fiz o que eu pude para chegar ate aqui.
O caminho não é apenas enconcho, mas, igualmente dolorido e apresenta deliberados labirintos pra complicar a vida deste pobre homem.
Fiz o que pude para chegar ate aqui, por isso, concedo-me o premio do reconhecimento pelo esforço.
Quem faz o melhor que pode, já conseguiu um objetivo que é a autodisciplina.
As luzes da ultima cidade por onde passei, do asfalto que as vi, eram poucas e alegres. Parecia mão de criança fazendo gestos puros de aceno em uma despedida.
Comprei-as mentalmente nestas noites incertas e tristes de primavera, quando tudo me parecia um enorme circo iluminado com enormes elefantes de concretos e milhares de acrobacias computacionais.
Na sublime acrobacia dos seus habitantes, exatamente pelo gosto de ver a diferença dos extremos.
Cada vez me sinto mais magoado com as pessoas.
Elas na maioria das vezes não correspondem ao exemplo de solidariedade que eu gostaria de ver.
Se ouso entristecer-me, perco o contato com os meus semelhantes que preferem pessoas alegres, então, fico mais só do que como me encontro agora, nessas veredas da vida. Só a buscar encontrar um rumo.
Existem coisas que pesam em nossos ombros como se mil toneladas fossem.
Existem coisas assim...
Como diria Drummond “teus ombros suportam o mundo” no poema do mesmo titulo.
Lembro agora de certo texto do romance de Albert Camus “Dei aos homens a parte que lhes cabia”.
Diga-se de passagem, que com eles, menti e desejei. Fui feliz. Fui sincero. Lutei e lutei. Corri do ser ao ser. Fiz o que era preciso. Fiz o que pude para chegar ate aqui.
Agora, basta. Tenho contas a ajustar com essa paisagem.
Desejo ficar só. Sozinho com ela.
Fiz o que pude para chegar ate aqui.
Contemplo o meu altivo esforço como se visse antecipada, a manhã que agora nasce mansamente, surgindo no horizonte, por trás dos raios brilhantes do sol, me levando a desejar ser esses raios de luz para que pudesse visitar minha casa de infância iluminando suas paredes rachadas pelo tempo, abandonada pela vida e com o piso velho, assim como velho estão os que nela moravam.
É como se de repente os ombros se vissem obrigado a carregar, do mundo, todas as dores.
Fiz o que pude para chegar ate aqui.
Agora, por favor, me deixe ficar só.
Com quem realmente me compreende, a solidão.